Saiba como a concessão para a construção de uma ferrovia poderá melhorar as exportações no país, por Felipe Montoro Jens

Uma concessão que durará ao menos 65 anos está sendo debatida por autoridades brasileiras, noticia o especialista em projetos de infraestrutura, Felipe Montoro Jens. A escolha da concessionária obedecerá aos requisitos legais na forma de um leilão. A ferrovia EF-170, chamada também de Ferrogrão, conforme representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), poderá medir até 1.142km. A construção atravessará os estados do Pará e Mato Grosso do Sul, atuando como corredor de exportações da região.

As mais de 6 décadas da concessão deverão contar com o trabalho da companhia que se sair vencedora do leilão em questão. Os lances terão início a partir de R$ 0,01 e a empresa a vencer será a que for capaz de prometer maiores dividendos aos cofres do país. Todas as atividades inerentes à construção estarão a cargo da organização escolhida. Da mesma forma, após o término da obra, a mesma empresa também deverá implantar tudo o que for necessário para as operações da Ferrogrão.

Felipe Montoro Jens aponta que tal ferrovia integra uma ação proposta pelo governo: o PPI (Programa de Parceria de Investimentos), que possui o objetivo de estabelecer a área do Arco Norte como uma espécie de corredor voltado às exportações de vários tipos. Para que todos os projetos do programa em questão sejam de fato executados, será necessário que um investimento de mais de 12 milhões de reais seja alcançado. Em relação à obra da Ferrogrão, algumas das atividades que serão necessárias são as de terraplanagem, sistemas de sinalização e diversas outras.

O montante que será empregado para as operações da ferrovja será originado pela própria Ferrogrão. Isso, conforme esclarece o especialista em projetos de infraestrutura, será possível em face das tarifas cobradas a cada atividade realizada ao longo do trajeto ferroviário. Tal informação foi veiculada com base no que a ANTT divulgou em 2018.

Ao navegar pelo portal do PPI, maiores detalhes poderão ser conferidos acerca da Ferrogrão. Felipe Montoro Jens salienta que no site institucional há a perspectiva de que haja uma demanda de 25 milhões de toneladas, que por lá circularão. A expectativa é a de que esse volume venha a ser alcançado já no ano de 2020. Para 2050, contudo, a previsão é ainda mais otimista, uma vez que os especialistas esperam o transporte de cargas que ultrapassem 42 milhões de toneladas.

Se a ANTT realiza estudos que apontam possíveis demandas relacionadas à ferrovia, empresários locais também se mostram motivados a fazer planos ligados à Ferrogrão.Felipe Montoro Jens enfatiza que para representantes do setor, somente por alguns portos que compõem a Bacia Amazônica, 20 milhões de toneladas poderão trafegar pela área.

O corredor da região do Arco Norte já começou a ser voltado à exportação. Isso, segundo ressalta Felipe Montoro Jens, se dá por meio da rodovia BR-163. Assim que as obras da Ferrogrão forem concluídas, a rodovia poderá contar com maior fluidez em seu trânsito, sobretudo em relação ao tráfego de caminhões que são de grande porte, como os que carregam grãos, por exemplo. Dessa forma, o especialista pontua que haverá redução de gastos relativos aos reparos na BR-163.