Do Egito Antigo aos dias atuais: Donata Meirelles traz à tona a história do batom

As mulheres egípcias, segundo registros históricos empregavam o que hoje seria equivalente às maquiagens. A ornamentação, conforme reporta a empreendedora Donata Meirelles, se dava por meio da utilização de pedras preciosas aplicadas tanto em torno dos lábios, quanto ao redor dos olhos. Nefertite teria sido a primeira mulher a fazer uso de alguns corantes para conferir à boca um tom avermelhado. Há anos se atribuía tal costume à rainha Cleópatra, mas uma exposição no museu de Berlim revelou a verdade sobre o assunto, de modo que Nefertite foi mencionada como a precursora em se tratando de maquiar os lábios.

Assim como as egípcias, as mulheres gregas pintavam a boca com determinados corantes extraídos de uma planta conhecida como “polderos”, cuja raiz era avermelhada. Além do vegetal, adicionava-se mel para que se conseguisse um material de consistência sólida, similar ao batom na forma que existe nos dias atuais. A intenção, conforme destaca a empresária, era aparentar ser saudável, uma vez que os lábios ficavam mais úmidos e avermelhados.

A tinta empregada para se colorir a boca no Egito chamava-se “púrpura de Tyr”, tratando-se de um pigmento bastante raro até para a época. Havia um único local do território egípcio em que se podia encontrar este tipo de coloração: a cidade de Tiro. Esta, embora fosse uma maneira rudimentar de se maquiar representava o início de uma tradição que seria aprimorada por povos do ocidente, salienta Donata Meirelles.

Foi na Inglaterra que o batom se tornou de fato popular, sobretudo no período em que a rainha Elisabeth I exerceu o seu reinado. A estética da época valorizava características típicas do povo europeu, como a pele extremamente branca e a boca avermelhada, que era obtida justamente pelo uso do batom. Nessa época, o produto era fabricado de modo quase artesanal, já que era feito com tintas provenientes de vegetais e cera de abelhas.

O produto, entretanto, só passou a ser de fato chamado de “batom”, após o perfumista Rhocopis, de origem francesa, ter criado no início do século passado uma espécie de mistura contendo essências de frutas cítricas, talco e óleo de amêndoas, cujo nome era “Baton Serviteur”. De cor vermelha, o produto era vendido envolto em papel de seda. O item de beleza se tornou primeiramente popular entre atrizes e dançarinas da Europa, mas ao término da Primeira Guerra Mundial as donas de casa também se mostraram afeitas ao uso do batom. Vale ressaltar que a moda de maquiar os lábios passou a conquistar mulheres também em outros países.

Donata Meirelles explica que os batons eram vendidos em poucas opções de cores, de maneira que este tipo de produto era comumente visto em tons de vermelho. Isso, segundo reporta a empreendedora, é algo que ficou no passado, uma vez que nos dias atuais o leque de opções de maquiagens é bastante grande. Assim como as novas cores que passaram a ser introduzidas na sua confecção, os formatos também sofreram alterações ao longo do tempo.

Nos Estados Unidos, contudo, o batom passou a ser comercializado somente no ano de 1915. O produto se assemelhava ao Baton Serviter, mas com algumas diferenças, como o fato deste vir em um tubo de metal. Donata Meirelles ressalta que o batom foi bem aceito entre as consumidoras americanas. A imprensa da época retratava o item como algo empregado por mulheres da alta sociedade, o que aumentava ainda mais o glamour em torno da maquiagem.

A formulação do batom tal como é vista na atualidade começou a ser introduzida no mercado no ano de 1930, pontua a empreendedora. O principal marco do produto em relação ao passado consistia no fato deste passar a ser produzido sob uma base mais solidificada. Além disso, o batom deixou de ser apenas algo com finalidades estéticas, adquirindo outras funcionalidades, como por exemplo, características hidratantes. A empresária destaca que já é possível reunir em um mesmo produto diversos benefícios para a pele dos lábios.

A trajetória do batom até a atualidade foi marcada por diversas curiosidades, sobretudo na antiguidade. Para se ter ideia, Cleópatra ficou conhecida em virtude de ter feito uso de alguns besouros a fim de que conseguisse uma coloração avermelhada para tingir seus lábios. Outro ponto que chama a atenção na história do produto foi a invenção do brilho labial, que se deu em 1.930, por idealização do maquiador Max Factor.

Com a popularidade crescendo a cada século, o batom foi reinventado, de modo que já existem inúmeras variações no mercado. Algo que revolucionou o setor de cosmética foi a criação do batom de longa duração. O criador dessa versão do produto foi Hazel Bishop, um cientista de origem norte-americana. O batom, segundo assinala a empresária brasileira, também foi empregado como elemento de protestos. No mais emblemático deles, o produto na cor vermelha foi utilizado por manifestantes do movimento Sufragista.