Venda da marca de laticínios Itambé foi suspensa

Foi suspensa a venda da marca mineira Itambé pela 1ª Vara Empresarial do estado de São Paulo. A empresa de laticínios seria comprada pela multinacional Lactalis, que é a maior do planeta nesse setor de laticínios. O parecer foi dado fundamentado em uma solicitação feita pela Vigor, dona de 50% da Itambé.

A outra metade da empresa pertence a CCPR (Cooperativa Central dos Produtores Rurais de Minas Gerais). Na visão da justiça, uma parte do acordo entre os acionistas pode ter sido infringido pela CCPR, que negociou com a empresa francesa Lactalis, antes de oferecer o direito de compra da sua parte da empresa para a Vigor, de acordo com o que foi firmado entre os acionistas.

Segundo fontes, a cooperativa irá recorrer da decisão e não quis se pronunciar sobre o caso, que está correndo em segredo de Justiça. A CCPR vai tomar providências tanto na esfera judicial e na arbitral, onde o acordo entre a Vigor e a CCPR tem previsão de resolução de divergências.

O  Grupo J&F era dono da empresa de laticínios Vigor,  mais acabou vendendo ela em agosto para a empresa mexicana Lala Foods, que previa em sua negociação também a compra de 50% da empresa Itambé, referente a parte que pertence à cooperativa. O valor total do negócio era de 5,725 bilhões de reais, sendo que 1,4 bilhão seriam para comprar toda a empresa Itambé, onde a Vigor receberia 700 milhões de reais e outros 700 milhões de reais para a cooperativa.

O contrato firmado entre os acionistas da J&F e CCPR, afirmava que qualquer uma das partes poderia recomprar a empresa pelo mesmo preço que foi oferecido por outro comprador. A CCPR não quis vender a sua parte e ofereceu

700 milhões de reais para adquirir a outra parte, passando a ser a única dona da Itambé.

A situação até este momento estava de acordo com o contrato firmado entre a Vigor e a CCPR. Mas no dia seguinte de assinar a negociação, a CCPR vendeu toda a empresa Itambé para a empresa francesa Lactalis. O preço não foi divulgado, mas existem estimativas de que o negócio foi realizado por cerca de 1,9 bilhão de reais, o que significa um aumento de 500 milhões de reais em apenas um dia.

Todo esse processo está correndo em sigilo na Justiça, mas essa divergência jurídica entre a cooperativa e as empresas Vigor e Lactalis, pode se estender ainda por algum tempo.