Grande rede de lojas de roupa foi reponsabilizada pela Justiça por trabalho análogo ao escravo

A rede de lojas Zara, que integra o grupo multinacional Inditex, pode ser inserida em uma “lista suja” referente ao trabalho escravo, devido às irregularidades apresentadas por um provedor da empresa em 2011.

Segundo uma decisão tomada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, as condições de trabalho semelhante ao escravo que foram identificadas em uma rede produtiva da varejista, são de responsabilidade da Zara.

De acordo com Ricardo Artur Costa Trigueiros, desembargador do Trabalho e responsável pela sentença, é inaceitável a ideia de que a Zara desconhecia o que ocorria nas oficinas de costura, sendo totalmente conveniente para a empresa fingir que não estava vendo as situações precárias dos trabalhadores.

Há cinco anos, a varejista Zara vem se esforçando para invalidar os autos de infração feitos pelos auditores fiscais, que comprovaram o trabalho semelhante ao escravo em oficinas que costuravam peças de roupas, para a varejista em 2011. Uma dessas ações foi que a Zara abriu um processo contra a União em uma ação anulatória, também em 2011, declarou em nota o MPT (Ministério Público do Trabalho).

Na decisão do desembargador, ele concluiu que a Zara fez muito mais do que fingir que não sabia das condições de trabalho nas oficinas de costura, que foram contratadas como terceirizadas e onde havia todo um esquema, para evitar que evidências desse trabalho semelhante ao escravo mostrassem o envolvimento da Zara.

Essa sentença da justiça vai permitir, a inclusão da Zara no

Cadastro de Empregadores que apresentam funcionários em situações semelhantes ao trabalho escravo, chamada de  Lista Suja.

Uma das evidências mais claras da fraude é que a empresa contratada pela rede produtiva da Zara como entreposta, a Aha, não possuía em seu estabelecimento nenhuma máquina de costura. Era inadmissível que a Zara não tivesse conhecimento dessa situação, até porque a confecção das roupas depende de funcionários e de maquinário próprio, declarou em nota o Ministério Público do Trabalho.

O Ministério do Trabalho no mês de agosto de 2011, constatou que quinze pessoas, incluindo uma menor de quatorze anos, estavam trabalhando em uma situação semelhante ao trabalho escravo, em oficinas localizadas em São Paulo que costuravam roupas para a rede varejista Zara.